No dia 12/11/2025, às 10h, de forma online, aconteceu a defesa de dissertação de mestrado intitulada “Governo da Língua em Timor‑Leste: Fraturas, Resistências e Convergências Midiáticas”, do professor do Timor Leste Vitor Boavida Soares, com orientação foi da Prof.ª Dr.ª Ivânia dos Santos Neves (Universidade Federal do Pará — UFPA). A pesquisa, vinculada à Área de Concentração em Estudos Linguísticos, foi apresentada ao Programa de Pós‑Graduação em Letras —da Universidade Federal do Pará.
Vitor Boavida faz parte do GEDAI/CNPq – Grupo de Estudos com Mediações e Discursos com Sociedades Amazônicas, liderado pela professora Ivânia dos Santos Neves. Ele é o primeiro mestre estrangeiro do Grupo.
Para a professora Ivânia Neves a presença de timorenses no PPGL pluraliza ainda mais as formas de conceber o governo da língua e a colonização portuguesa.
Professor Vitor Boavida
Na avaliação da professora Jorcemara Cardoso “Durante o processo de leitura da dissertação, a gente percebe as fraturas que constituem o Vitor Boavida, como sujeito timorense (falante de mambae, português; (sobre)vivente de duas grandes invasões) e como sujeito pesquisador — e, ao marcar na sua escrita essas fraturas, a gente consegue ter uma dimensão dos afetos e tensões que atravessam processos de territorialização das identidades e das línguas no Timor-Leste.”Para a professora Rosário Gregolin: “A literatura de Timor Leste, hoje, está estruturada com narrativas orais”
O professor Maurício Neves Corrêa constatou: “Quando a gente olha para a história do Timor Leste, de certa forma, olha para um espelho.”
A dissertação apresenta uma análise multifacetada sobre a trajetória histórica, cultural, política e comunicacional de Timor‑Leste. Contextualiza a longa colonização portuguesa (século XVI) e a subsequente ocupação indonésia (1975–1999), destacando os efeitos dessas experiências na formação da identidade nacional. Examina o papel central da Igreja Católica — introduzida pelos portugueses — tanto como instrumento de evangelização e consolidação do português quanto como espaço de resistência durante a ocupação indonésia, quando a imposição da língua bahasa reforçou práticas de preservação identitária e o uso do tétum na liturgia.
A pesquisa discute a continuidade de narrativas orais e epistemologias tradicionais como formas de resistência cultural e epistemológica; a diversidade linguística do país (mais de 30 línguas), com ênfase no tétum como língua de unidade e no português como marcador de vínculo lusófono; e as limitações estruturais para a implementação do português pós‑independência. Analisa também a presença colonial holandesa na porção ocidental da ilha e a influência de conflitos internacionais (Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria) na trajetória timorense.
Na parte dedicada às mídias, o trabalho descreve a evolução da infraestrutura comunicacional — da predominância do rádio em áreas rurais à chegada de fibra óptica e plataformas digitais — e aponta desafios de cobertura, exclusão digital e regulação da desinformação. Propõe políticas multilíngues, investimentos em universalização do acesso à internet, formação de profissionais plurilíngues, digitalização de acervos culturais e promoção da alfabetização midiática como estratégias para fortalecer a coesão social, a participação popular e a autonomia cultural.