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Pesquisador da UFPA analisa monogamia como tecnologia de poder em tese de doutorado

O pesquisador Daniel Loureiro Gomes, integrante do Grupo de Estudo Mediações, Discursos e Sociedades Amazônicas (GEDAI/CNPq), defendeu sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Pará (PPGL/UFPA). O trabalho, intitulado “Discurso e Governamentalidade das relações afetivo-sexuais: a monogamia como tecnologia de poder do arquidispositivo colonial”, foi orientado pela professora Ivânia Neves.

A pesquisa investiga como a monogamia foi historicamente construída e consolidada como modelo único e legítimo de relação afetivo-sexual. Segundo Daniel, trata-se de uma tecnologia de poder articulada ao que denomina de arquidispositivo colonial, uma macro rede de saberes e práticas que atravessa diferentes esferas sociais.

“Por meio do cotejamento entre dispositivos da religião, da medicina, do direito e da sexualidade, busquei compreender como se organiza esse arquidispositivo colonial. Ele funciona como uma rede que constrói estratégias para controlar comportamentos, valores, crenças e ideais. Nesse contexto, a monogamia é reiterada como padrão válido e correto, sustentada ao longo da história por discursos da fé, da saúde, das leis e dos corpos, e reafirmada por instituições como a igreja, a escola, a família, a arte e a mídia”, explica o pesquisador.

A defesa contou com uma banca composta pelas professoras Regina Baracuhy Leite (PROLING/UFPB), Rosário Gregolin (PPGLP/UNESP), Izabela Leal (PPGL/UFPA) e pelo professor Maurício Neves (PPGEDUC/UFPA). O trabalho foi elogiado pela profundidade teórica e originalidade da abordagem.

“Parabenizo pela extensa ‘escavação’ teórica feita pelo Daniel na tese, mostrando o grande pesquisador que ele é. A tese aborda a descolonização dos afetos e a resistência a todas as imposições feitas ao nosso corpo”, destacou a professora Regina Baracuhy, integrante da banca.

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