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IX Seminário de Pesquisa do GEDAI – Grupo de Estudos Mediações e Discursos com Sociedades Amazônicas (CNPq) em Cametá

Nos dias 13, 14 e 15 de abril aconteceu, na Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Universitário do Tocantins, em Cametá, o IX Seminário de Pesquisa do GEDAI – Grupo de Estudos Mediações e Discursos com Sociedades Amazônicas (CNPq). O evento constituiu-se como um espaço de socialização de pesquisas concluídas e em andamento, promovendo o diálogo acadêmico e a troca de experiências entre pesquisadoras, pesquisadores e sujeitas e sujeitos envolvidos com as múltiplas realidades amazônicas.

Ancorado em perspectivas críticas e decoloniais, o seminário reafirmou o compromisso com a problematização das relações entre linguagem, poder e produção de saberes, tensionando as matrizes hegemônicas que historicamente subalternizam cosmologias, as etniCidades e modos de existência indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Nesse sentido, o GEDAI fortalece uma agenda acadêmica que desloca o conhecimento de um lugar universalizante para uma dimensão situada, plural e atravessada por disputas simbólicas e políticas.

A programação teve início no dia 13 de março, com as lives “Tambaqui Tamuatá”, transmitidas pelo canal do GEDAI no YouTube.

A programação teve início no dia 13 de março, com as lives “Tambaqui Tamuatá”, transmitidas pelo canal do GEDAI no YouTube. Pela manhã, às 9h, ocorreu a live “Quem pode falar? Discurso, poder e o silenciamento dos saberes das mulheres”, com a participação de Diely Nunes, Jainara Novaes, Layza Tavares e Samara Bergue, e como convidadas as professoras doutoras Jocemara Cardoso e Lucilena Gonzaga Costa. A discussão problematizou as condições de enunciação e os mecanismos de invisibilização que incidem sobre os saberes das mulheres, evidenciando as assimetrias presentes nos espaços acadêmicos e sociais. Click aqui para acessar.

Tambaqui mulheres
Disponível no Canal do GEDAI

No período da tarde, às 16h, foi realizada a live “Educação Afro-Indígena”, que deu continuidade às reflexões ao destacar práticas pedagógicas que tensionam a colonialidade e valorizam epistemologias enraizadas em territórios, memórias e resistências. Click aqui para acessar.

Disponível no Canal do GEDAI

             No dia 14 de abril, a programação presencial foi marcada pelo lançamento do material didático “Dominó Tembé-Tenetehara” e do “Curta Histórias de Cametá”, iniciativas que materializam a potência dos saberes locais e das línguas indígenas enquanto territórios de memória e resistência.

             O curta-metragem “Histórias de Cametá” foi organizado e produzido pelo professor Dr. Maurício Neves Corrêa, em parceria com alunos do 8º ano da Escola Dinorá Tavares. A obra é resultado do Projeto de Extensão Pedagógica O Futuro Ancestral no ambiente escolar da Amazônia Tocantina, desenvolvido por Maurício Ne ves Corrêa (PPGEDUC/UFPA) e Ma. Marcilene do Carmo de Oliveira Miranda (PPGL/UFPA e professora da EMEF Dinorá Tavares).

             As ações ocorreram na escola e em residências do Bairro Primavera, com participação de alunos do 9º ano B, entre março e dezembro de 2025, valorizando memórias, narrativas e saberes locais.

O material didático “Dominó Tembé-Tenetehara” foi produzido pela doutoranda do PPGL/UFPA, Joana Vieira, como uma proposta pedagógica voltada ao ensino da língua Tenetehara. A iniciativa resulta de pesquisa de campo realizada na aldeia Tembé do Alto Rio Guamá (PA), sob orientação da professora doutora Ivânia Neves e com a colaboração da professora Kuzà’i Tembé. Os materiais foram posteriormente doados à Escola Estadual Indígena Félix Tembé, localizada na Área Indígena Alto Rio Guamá, no município de Capitão Poço (PA).

Na manhã do dia 15 de abril, as mesas de apresentação reuniram pesquisas que evidenciaram a potência das línguas e das narrativas indígenas como formas de produção de conhecimento e de afirmação de modos de existência.

A Mesa 1, “Línguas e Cosmologias Indígenas”, reuniu pesquisas que problematizaram as experiências dos povos Tembé-Tenetehara, Anambé e Assurini, demarcando as narrativas como espaços de memória, continuidade e transformação. As discussões ressaltaram a relação intrínseca entre linguagem e mundo, apontando para compreensões mais amplas e relacionais da identidade, nas quais se articulam corpo, território e cosmologia.

Foram apresentados os trabalhos:

“Tári zane mume’uhaw / Nossas narrativas Tembé-Tenetehara no presente”, pela mestranda Marcilene Tembé/ Kuzà’i Tembé;

“Ceuci: História, memória e reinscrição da narrativa oral Anambé”, pela mestranda Danielle de Souza Chaves/Iacy Anambé; e

“Kussarawera: corpos trans e cosmopolíticas da transformação nas narrativas de Mahíra entre os Assurini”, pela doutoranda Thaianny Cristine Dias Gaia. Todos sob orientação da Profa. Dra. Ivânia dos Santos Neves.

A mesa contou com a avaliação da Profa. Dra. Benedita Celeste de Moraes e do Prof. Dr. Maurício Neves Corrêa, que contribuíram para o aprofundamento das discussões e para o diálogo crítico entre as pesquisas apresentadas.

Mesa 1 - Línguas e Cosmologias Indígenas

A Mesa 2, “Dispositivo colonial e etniCidades”, realizada no dia 15 de abril, às 10h30, reuniu pesquisas que problematizaram os mecanismos de poder envolvidos na produção das diferenças e na constituição das subjetividades amazônicas. As discussões abordaram tanto os saberes ribeirinhos em Cametá quanto práticas culturais como as Themônias, evidenciando processos de resistência e negociação identitária frente às imposições da colonialidade e revelando a complexidade das experiências sociais na região.

Foram apresentados os trabalhos “Saberes ribeirinhos: discurso e poder em Cametá”, pelo doutorando Geciel Ranieri Furtado, e “As Themônias e o dispositivo colonial: subjetividades, resistências e etnicidades”, pelo doutorando Jonilson Pinheiro Moraes.

A mesa contou com a avaliação do Prof. Dr. Maurício Neves Corrêa e do Prof. Dr. Lucas Lopes, que contribuíram para o aprofundamento crítico das discussões e o diálogo entre as pesquisas apresentadas.

A Mesa 3, “Saberes e ancestralidades indígenas”, realizada no dia 15 de abril, às 16h, reuniu pesquisas que atravessam memória, territorialidade e luta política, evidenciando diferentes formas de produção de saberes e experiências na Amazônia. As discussões abordaram desde o silenciamento de ancestralidades indígenas em Cametá até as práticas de subjetivação de mulheres na pesca artesanal, além de refletirem sobre a valorização de saberes tradicionais e suas relações com resistência e identidade.

Foram apresentados os trabalhos “Nos rastros de Murajuba: ancestralidade indígena, poder e silenciamento em Cametá-Pará”, pela doutoranda Marcilene do Carmo de Oliveira Miranda, e “Entre redes e marés: práticas de sujeição e subjetivação de mulheres na pesca artesanal em Limoeiro do Ajuru/PA”, pela doutoranda Raimunda Moraes Silva Gonzaga.

Também integraram a mesa os trabalhos “Saberes Tradicionais Quilombolas e Etnomatemática: Resistência Cultural e Práticas Educativas na Escola de Anilzinho”, pela mestranda Durcinéia Leite Medeiros, e “A violência doméstica contra a mulher no município de Oeiras do Pará: entre saberes, linguagens e resistência”, pela mestranda Josiete Cunha de Souza.

A mesa contou com a avaliação da Profa. Dra. Maria Lucilena Gonzaga, da Profa. Dra. Ivânia dos Santos Neves, do Prof. Dr. Lucas Lopes e do Prof. Dr. Maurício Neves Corrêa, que contribuíram para o aprofundamento das discussões e para o diálogo crítico entre as pesquisas apresentadas.

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