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O Futuro Ancestral na EEMEF Dinorá Tavares em Cametá: UFPA conectada com a Educação Básica

O Futuro Ancestral na EEMEF Dinorá Tavares em Cametá: UFPA conectada com a Educação Básica

Discente Helinton
Discente João
Discente Maria Eduarda

Por Marcilene Miranda, em 20/04/2026

Aconteceu no dia 14 de abril, às 17h, no Auditório Alberto Moia Mocbel, do Campus da Cametá da UFPA, durante a abertura do IX Seminário de Pesquisa do GEDAI – Grupo de Estudos Mediações e discursos com Sociedades Amazônicas-CNPq, a apresentação das 20 telas produzidas a partir do poema “Identidade” de Márcia Kambeba e o lançamento do curta-metragem “Histórias de Cametá”, organizado e produzido pelo professor Maurício Neves Corrêa e os alunos do oitavo ano da Escola Dinorá Taveres.

Houve uma participação expressiva da Escola, com três turmas do turno da tarde (alunos do 8º e 9º anos), acompanhadas do corpo gestor da instituição (professoras Ester Braga, Josiete Cunha, a especialista em educação da instituição, prof. Joelma) e o professor de matemática, Elielson Valente.

Lançamento do Curta "Histórias de Cametá"

O curta metragem foi um dos resultados do Projeto de Extensão Pedagógica intitulado O Futuro Ancestral no ambiente escolar da Amazônia Tocantina, organizado pelos professores: Dr. Maurício Neves Corrêa (professor visitante da Universidade Federal do Pará (UFPA) no curso de Pós-Graduação em Educação e Cultura do Campus de Cametá (PPGEDUC) e membro do Grupo de Estudo Mediações e Discursos com Sociedades Amazônicas, CNPq) e Ma. Marcilene do Carmo de Oliveira Miranda (discente do Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras- PPGL na Universidade Federal do Pará, professora de Língua Portuguesa na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Dinorá Tavares e integrante do Grupo de Estudo Mediações e Discursos com Sociedades Amazônicas, CNPq). As estratégias de intervenção foram realizadas no ambiente escolar da EMEF Dinorá Tavares e nas residências de pessoas selecionadas pelos alunos do 9º ano B, entre os meses de março a dezembro de 2025 nesta instituição.

A parceria com instituições superiores fortalece o trabalho pedagógico, trazendo novas metodologias, pesquisas e olhares acadêmicos para dentro da escola. essa troca contribui tanto com os professores em sua formação quanto para ampliar oportunidades de conhecimentos para os alunos. projetos como esse mostram que é possível sair do ensino tradicional e CONSTRUIR experiencias mais dinâmicas, participativas e contextualizadas”.

Professora Ester Braga – Diretora da Escola Dinorá Tavares

“Os resutados desse projeto mostram que a UFPA pode e deve ter imapacto social nas escolas de Educação Básica. Foi muito prazeroso acompanhar o auditório da universidade cheio de discentes da Escola Dinorá Tavares, com suas camisas amarelas e seus sorrisos empogados com o filme e os quadros. Parabéns aos realizadores!”

Professora Ivânia dos Santos Neves – PPGL/UFPA Líder do GEDAI/CNPQ/UFPA

O objetivo principal deste projeto consistiu em ressignificar as práticas de ensino nas aulas de língua portuguesa, de modo a fazer com que os alunos refletissem sobre a própria realidade. Foram realizadas oficinas didático-pedagógicas nas quais os estudantes, além de refletirem sobre temáticas voltadas às questões ancestrais, de identidade e ambientais, a partir de importantes referências teóricas indígenas como Alton Krenak, Márcia Kambeba, Eliane Potiguara, Olívio Jecupé e outros, também participaram de oficinas para a produção de um produto audiovisual que corresponderia à culminância do projeto.e

Márcia Kambeba
Ailton Krenak
Eliane Potiguara
Olívio Jekuoe

Após essa primeira etapa com uma abordagem mais reflexiva, os alunos, em equipes, selecionaram a pessoa mais velha em seu entorno para realizar uma entrevista, de modo a ouvir histórias de infância vividas por ela, ou que lhe fora contada por seus pais, avós e bisavós. Esta etapa foi crucial no desenrolar de todo o projeto, visto que as entrevistas realizadas na família do aluno estreitaram os elos de conexão parental.

Entrevista com dona Franciele Andrade, 42 anos, realizada pela equipe discente representada pelas alunas Thaís e Luana.

 

“Esse projeto serviu para me aproximar mais da minha filha e até mesmo pra ela conhecer sobre a trajetória dos antepassados dela.”

Franciele Andrade, mãe da aluna Noemi

Essa conexão também permitiu o aprofundamento da relação entre os estudantes e o entrevistado no cuidado com a terra e com a natureza. Uma das equipes apresentou a gravação de narrativas na qual o entrevistado relata a produção de vinagre a partir do caroço do açaí. Momento no qual o sr. Benedito relatou que aprendera as técnicas com seus pais, que aprenderam com seus avós e que foi passado de geração em geração, essa prática, que para ele, vem dos bisavôs indígenas.

De uma forma, geral, os alunos ouviram dos entrevistados como eram as práticas de cura com os recursos naturais, que tipo de brincadeiras faziam quando não existia a tecnologia da atualidade, além de várias narrativas sobre assombrações e visagens.

Os conhecimentos produzidos pelos estudantes, com seu familiar ou conhecido, constituíram-se em saberes que se conectam a outras práticas culturais há muito tempo utilizada neste lugar e que até hoje pode ser observada por essas pessoas que foram entrevistadas. Histórias que também revelaram a descoberta de algo que, para os estudantes, estava distante do cotidiano deles, mesmo estando tão perto.

 

 

“Participar desse projeto foi muito importante, porque a gente se conectou com nossos ancestrais indígenas. Descobriu tantas coisas novas, ouvindo relatos de pessoas mais idosas, foi fascinante e encantador para mim. Só tenho a agradecer à professora Marcilene e aos meus colegas de equipe.”

Thais Leal Custódio, atualmente cursando a 1ª série do Ensino Médio na Escola Estadual Dr. Gerson dos Santos Peres, em Cametá.

 

 

 

“O projeto tem uma importância fundamental para a educação atual, especialmente na realidade da educação básica, pois valoriza os saberes tradicionais, a memória coletiva e a identidade cultural dos nossos educandos. Sabendo que nosso território é marcado pelas riquezas e vivências culturais, esse projeto aproxima a escola de uma realidade que o aluno atual não vivencia, mostrando para o estudante que há um vasto conhecido desconhecido por eles e por tantos.”

Diretora da instituição – Professora Ester Braga

Entrevista com dona Maria Raimunda, 76 anos, feita pela equipe discente representada pela aluna Darfany, cuja narrativa foi selecionada como inspiração para a produção do curta-metragem.

Este projeto de extensão mais uma vez revelou, a partir de discussões e pesquisas arroladas em nosso grupo de estudo, que nossa história não está traduzida apenas nos livros, mas naquilo que nos faz únicos e que, se nossos ancestrais indígenas foram extintos com a vinda dos europeus, eles permanecem vivos na nossa memória e nos saberes repassados pelos que aqui ainda reexistem.

Que nossa ancestralidade continue a resistir na contemporaneidade; que a voz do nosso rio-avô, da nossa irmã-montanha, da nossa mãe-floresta ecoe por todo o sempre nas academias e nas instituições escolares de todo o país.

Professora Marcilene do Carmo Miranda

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